Como referenciar este texto: História – Antecendentes das Unificações do Séc. XIX (Plano de aula – Ensino médio). Rodrigo Terra. Publicado em: 31/01/2026. Link da postagem: https://www.makerzine.com.br/educacao/historia-antecendentes-das-unificacoes-do-sec-xix-plano-de-aula-ensino-medio/.
Para estudantes de 15 a 18 anos, entender esses antecedentes ajuda a compreender como ideias de soberania, modernização institucional e diplomacia moldaram o mapa europeu e influenciam debates atuais sobre identidade e Estado.
Ao longo das atividades, utilizaremos metodologias ativas — estudo de fontes, linha do tempo, mapas interativos e debates em sala — para desenvolver pensamento crítico, argumentação e construção coletiva do conhecimento.
Ao final, esperamos que os alunos consigam articular as principais causas das unificações, relacionar fatores internos e externos e interpretar como decisões de Estado refletiram interesses de diversos atores sociais, econômicos e religiosos.
1. Contexto político e social europeu no início do século XIX
Após as guerras napoleônicas, o mapa europeu foi redesenhado pelo Congresso de Viena (1815). O mapa era composto por inúmeras monarquias, reinos e confederações, com tendências conservadoras que tentavam frear o liberalismo e o nacionalismo emergentes.
A instabilidade de alianças, o papel da Santa Aliança, e a repressão a movimentos liberais criaram cenários de fricção que deixaram caminhos abertos para futuras rupturas nacionais.
A composição político-institucional era marcada por alianças, instituições graduais e tensões entre dinastias e populações, enquanto os movimentos liberais ganhavam força em várias regiões.
As fricções entre conservadorismo, soberania popular e pressões de potências deram etapas para mudanças que viriam na segunda metade do século, incluindo reformas administrativas e reconfigurações territoriais.
Estudar esse período ajuda a entender como ideias de soberania, modernização institucional e diplomacia moldaram o mapa europeu, influenciando debates sobre identidade e Estado ainda hoje.
2. Itália pré-unificação: Estados, revoluções de 1848 e o Risorgimento
A península era fragmentada em Estados Pontifícios, Reino de Napoli, Reino de Sicíli e o território do Reino de Sardo-Piemonte; a resistência ao domínio austríaco alimentou o sonho de uma Itália unificada, ainda que as fronteiras, leis e moedas coexistissem em cada estado.
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As estruturas políticas variavam bastante: liberalismos moderados conviviam com conservadorismo dinâmico, enquanto revoltas locais exigiam constituições, liberdade de imprensa e participação popular. Esse caldo institucional lançou as bases para o Risorgimento, movimento que reuniria esforços diplomáticos, militares e intelectuais.
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Líderes como Mazzini defendiam a nação italiana como cidadania ativa, fundando a Giovine Italia para espalhar ideias republicanas e de soberania popular. Cavour, por sua vez, empregou a diplomacia, reformas econômicas e a aliança com potências europeias para fortalecer o Piemonte e tornar possível a unificação sob uma monarquia ocupando o trono de uma Itália unificada. Garibaldi, com as suas expedições militares, tornou-se símbolo de mobilização popular e de vitória sobre resistências locais.
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Os eventos de 1848 marcaram o grande impulso liberal na península: as revoluções espalharam constituições, exigência de participação política e maior autonomia frente à Áustria. Embora muitos desses levantes tenham falhado a curto prazo, eles deixaram lições sobre como a identidade italiana podia se consolidar por meio de forças políticas, militares e diplomáticas que, mais tarde, convergiriam no Risorgimento.
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O Risorgimento emergiu como um esforço multifacetado: imprensa, redes de exilados, acordos com reis nacionais e campanhas militares que, juntas, pavimentaram a unificação. O processo culminou, aos poucos, na criação de estados nacionais modernos sob a liderança da Casa de Sardenha, preparando o terreno para a união italiana efetiva nos anos seguintes.
3. Alemanha: Confederação Germânica, guerras e unificação
A Alemanha não era um Estado único; era uma Confederação de inúmeros estados, cada um com instituições próprias, tradições políticas distintas e economias diversas. A estratégia de Bismarck privilegiou o equilíbrio de poder e o uso de guerras como meio de consolidar a liderança prussiana.
Sob a liderança da Prússia, o processo de unificação passou pelo fortalecimento de uma identidade alemã comum, pela integração econômica (Zollverein) e pela construção de um aparato estatal capaz de sustentar uma política externa assertiva.
As guerras de 1864 (Dinamarca), 1866 (Austro-Prussiana) e 1870-71 (Franco-Prussiana) pavimentaram o caminho para a criação do II Reich, culminando na proclamação do Kaiser em Versalhes em 1871.
Esses conflitos não foram apenas vitórias militares; envolveram ajustes diplomáticos, alianças estratégicas e uma mobilização nacional que consolidou a Prússia como motor de unificação e modernização administrativa.
A unificação também acentuou tensões internas, como os debates entre norte e sul da Alemanha, bem como o equilíbrio entre Estado e Igreja, que se manifestaram posteriormente em políticas como o Kulturkampf, refletindo os desafios de governar um novo Estado alemão.
4. Questão Romana, Papa e o papel da Igreja
A Questão Romana refere-se à relação entre o Papado e o novo Estado italiano, criada pela unificação que dissolveu os Estados Pontifícios e integrou Roma ao território nacional em 1870.
Enquanto o governo liberal buscava modernizar o Estado, o Papa Pio IX e seus sucessores defendiam uma autonomia temporal da Igreja, gerando conflitos entre poder secular e poder espiritual.
As negociações ao longo das décadas seguintes procuraram definir o papel da Igreja no Estado laico italiano, incluindo medidas de convivência e acordos que regulamentaram direitos e prerrogativas religiosas.
Essa história ajuda a entender como interesses religiosos moldaram a política europeia e como o relacionamento entre Igreja e Estado continuou a influenciar debates sobre identidade nacional, educação e cidadania no século XX.
5. Diplomacia, Realpolitik e redes de alianças
Bismarck utilizou a Realpolitik para manter o equilíbrio de poder, formar alianças e isolar adversários.
A prática de tratados, reorganizações territoriais e guerras mostrou-se central para a consolidação das Unificações, com decisões influenciadas por interesses econômicos, militares e ideológicos.
A rede de alianças do século XIX transformou a diplomacia em um tabuleiro de xadrez, onde pactos defensivos e acordos de assistência mútua definiram o comportamento dos grandes Estados, muitas vezes antevendo crises maiores.
Entre os pilares dessa política, destacam-se a cooperação com a Áustria-Hungria, o fortalecimento das relações com a Itália e o uso de coalizões temporárias para isolar rivais. Essas escolhas ajudaram a moldar não apenas os contornos dos Estados nacionais, mas também o modo como a guerra era planejada e desencadeada.
Por fim, é possível perceber que a diplomacia do período não foi apenas sobre guerra, mas sobre a construção de redes que permitiram a transpiração de uma identidade nacional com forte base institucional e econômica, preparando o terreno para as unificações que iriam redesenhar o mapa da Europa.
6. Metodologias ativas, interdisciplinaridade e planejamento da aula
Para facilitar o aprendizado, proponho atividades ativas como linha do tempo colaborativa, análise de fontes primárias e mapas interativos.
Propõe-se integração com Geografia (fronteiras e mapas), Português (análise de textos e discursos) e Educação Cívica (cidadania e participação).
As atividades são pensadas para conectar o conteúdo histórico a habilidades do século XXI, como pensamento crítico, comunicação e colaboração entre os estudantes.
O planejamento da aula inclui objetivos claros, etapas sequenciais, critérios de avaliação e recursos abertos que podem ser adaptados a diferentes ritmos de aprendizagem.
Sugestões de avaliação contemplam rubricas de debate, portfólio de fontes primárias, reflexões em diário de aprendizagem e autoavaliação sobre participação e construção de argumentos.
7. Recursos abertos e avaliação
Recursos digitais abertos de universidades públicas e de pesquisa enriquecem a aula com fontes primárias, dados, mapas, vídeos educativos e conjuntos de dados que facilitam a construção de evidências históricas pelos alunos.
Sugestões: SciELO Brasil (revistas de História), Portal de Periódicos CAPES (acesso aberto) e repositórios de universidades públicas brasileiras, além de bases de dados governamentais e coleções digitais de museus que disponibilizam imagens históricas em qualidade acessível.
Para atividades de sala de aula, organize atividades de leitura de fontes primárias, análise de dados e interpretação de mapas com base nessas fontes abertas. Proponha tarefas que exijam cruzar informações de diferentes repositórios para construir argumentos históricos, incentivando a verificação de fontes e a comparação de versões.
Na avaliação, utilize rubricas simples que valorizem a escolha de fontes, a leitura crítica, a qualidade da argumentação e o uso adequado de citações. Oriente os alunos sobre direitos autorais, confiabilidade de fontes abertas e como atribuir crédito aos autores originais, além de promover acessibilidade, com legendas, descrições de imagens e formatos compatíveis.