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Biologia – O SANGUE HUMANO 01: Hemácias (Plano de aula – Ensino médio)

Como referenciar este texto: Biologia – O SANGUE HUMANO 01: Hemácias (Plano de aula – Ensino médio). Rodrigo Terra. Publicado em: 09/02/2026. Link da postagem: https://www.makerzine.com.br/educacao/biologia-o-sangue-humano-01-hemacias-plano-de-aula-ensino-medio/.


 
 

Abordaremos a morfologia, a hemoglobina e a produção de hemácias, conectando Biologia com conceitos de Química (ferro e heme) e Física (difusão de gases).

Serão discutidos impactos na saúde pública e situações do cotidiano, como deficiências de ferro que afetam energia, concentração e rendimento escolar.

Ao final, apresentaremos um conjunto de atividades ativas alinhadas às competências do ensino médio, com estratégias de avaliação formativa.

 

Conceitos-chave sobre Hemácias

Definição de eritrócitos (hemácias) e função principal: transporte de O2 dos pulmões para os tecidos e CO2 no sentido oposto.

Observação: as hemácias humanas são anucleadas na fase adulta, o que facilita o espaço para hemoglobina, mantendo a flexibilidade necessária para atravessar capilares.

Os eritrócitos possuem uma estrutura adaptada: disco ovoide, com hemoglobina que se liga ao oxigênio nos pulmões e a libera nos tecidos, facilitando o transporte eficiente de gases sob diferentes condições de circulação.

A produção de hemácias ocorre na medula óssea vermelha através de eritrópoese, controlada por hormônios como a eritropoietina. O ciclo de vida de uma hemácia adulta é de cerca de 120 dias, após o que é removida pelo baço e fígado. A hemoglobina possui quatro cadeias proteicas e o grupo heme com ferro que se liga ao oxigênio, permitindo o transporte seletivo.

Impactos na saúde pública e aplicações: deficiências de ferro afetam a produção de hemoglobina, levando à anemia, com consequências para energia, concentração e rendimento escolar. Exames simples, como hemoglobina, hematócrito e VGM, ajudam no diagnóstico, orientando intervenções nutricionais e terapêuticas. Estratégias de saúde pública incluem fortificação de alimentos e promoção de dietas ricas em ferro e vitamina C para melhor absorção.

 

Estrutura da Hemoglobina e transporte de O2

A hemoglobina é a proteína que liga O2 em pulmões e o libera nos tecidos. Cada hemoglobina pode ligar até quatro moléculas de O2, dependendo da saturação.

O ferro no grupo heme é o agente de ligação ao oxigênio; a afinidade da hemoglobina varia com pH, CO2 e temperatura.

A hemoglobina é uma proteína tetramérica, formada por quatro cadeias polipeptídicas que contêm o grupo heme com ferro ferroso (Fe2+). Cada sítio de ligação ao O2 modula a afinidade dos demais sítios, criando uma cooperação que facilita a captura de oxigênio nos pulmões e a liberação nos tecidos.

Quando o oxigênio se liga, a estrutura da hemoglobina passa por mudanças conformacionais que aumentam a afinidade dos sítios restantes pela oxigenação adicional. Fatores como pH baixo (efeito Bohr), aumento de CO2 e temperaturas mais altas reduzem a afinidade geral, favorecendo a liberação de O2 nos tecidos que o necessitam.

Além do transporte de O2, o CO2 é transportado como bicarbonato no plasma e parte ligado à hemoglobina, ajudando a regular o pH sanguíneo. A produção de hemácias na medula óssea, regulada pela eritropoietina, garante o suprimento constante de células vermelhas ao longo da vida.

 

Produção, vida útil e remoção das hemácias

A eritropoiese ocorre principalmente na medula óssea vermelha, sob regulação da eritropoietina (EPO), hormônio produzido pelos rins em resposta à diminuição de oxigênio nos tecidos.

A hemácia, ou eritrócito, é adaptada para o transporte eficiente de O2 e CO2. Sua forma bicôncava aumenta a área de superfície para difusão, e a hemoglobina, com ferro no grupo heme, captura o oxigênio nos pulmões e o libera nos tecidos, ao mesmo tempo em que coleta o dióxido de carbono para eliminação.

A vida média de uma hemácia é de cerca de 110–120 dias. Ao final de sua função, são removidas principalmente pelo baço, onde células fagocitárias reciclam a membrana, degradam a hemoglobina e recuperam o ferro para a produção de novas hemácias.

O ferro reciclado envolve proteínas como a transferrina e o armazenamento em ferritina, mantendo o equilíbrio de ferro necessário para síntese de hemoglobina. Deficiências de ferro ou falhas na produção de EPO reduzem a formação de novas hemácias, levando à anemia com impactos na energia, concentração e rendimento escolar.

Além disso, a taxa de destruição das hemácias pode alterar marcadores clínicos, como a bilirrubina. Discutiremos, ainda, a importância dos reticulócitos, que são eritrócitos jovens, para entender a produção medular em situações de demanda aumentada, como em infecções ou perdas sanguíneas.

 

Anemias: impactos no corpo e cotidiano

Deficiências de ferro, B12 ou doenças crônicas reduzem a produção de hemácias, levando à fadiga, taquipneia (respiração acelerada) e menor desempenho escolar.

Exemplos comuns: anemia ferropriva, anemia megaloblástica e anemia falciforme. O tema envolve saúde pública e escolhas diárias de alimentação.

Os sintomas vão além da fadiga: palpitações, tonturas, pele pálida e falta de ar com esforço. Em crianças e adolescentes, a deficiência de ferro pode impactar concentração, memória e desempenho nas atividades escolares, prejudicando o aprendizado.

Para reduzir os impactos, as estratégias envolvem diagnosticar a causa, ajustar a alimentação e, quando necessário, suplementação. Alimentos ricos em ferro heme (carnes) e não-heme (leguminosas, cereais) combinados com vitamina C aumentam a absorção; evitar chá, café e cálcio próximo das refeições pode ajudar. Em contextos públicos, fortificação de alimentos e educação nutricional são ferramentas-chave.

 

Metodologia ativa e desenvolvimento da aula

Uso de metodologias ativas: aprendizagem baseada em problemas, estudos de caso e simulações digitais de afinidade de O2 pela hemoglobina.

Preparo da aula: organização de recursos abertos e atividades; Introdução de 10 minutos; Atividade principal de 30-35 minutos; Fechamento de 5-10 minutos.

Durante a aplicação, enfatiza-se a participação ativa: debates curtos, perguntas sinalizadoras e tarefas em grupo que exijam a interpretação de dados de experimentos simulados sobre a ligação de O2 à hemoglobina e a liberação de CO2.

Recursos abertos recomendados incluem vídeos curtos, animações, leituras dirigidas e plataformas interativas que permitem que os alunos manipularem variáveis como saturação de oxigênio, pH e temperatura para observar efeitos na curva de dissociação da hemoglobina.

A avaliação formativa acontece ao longo da atividade: observação de participação, rubrica de desempenho para cada etapa (compreensão conceitual, uso de evidências, comunicação), e uma reflexão final em que o aluno relaciona o conteúdo com a saúde pública e a prática clínica.

 

Resumo para alunos e recursos abertos

Resumo: Eritrócitos, ou hemácias, são as células responsáveis pelo transporte de O2 dos pulmões para os tecidos e de CO2 de volta aos pulmões. A hemoglobina, presente em alta concentração nesses glóbulos vermelhos, contém ferro na forma de heme, que se liga de maneira reversível ao O2 e ao CO2 conforme as condições do organismo. O formato bicôncavo e a ausência de núcleo em adultos favorecem a difusão de gases e o transporte eficiente.

A produção de hemácias ocorre na medula óssea vermelha, a partir de células-tronco, seguindo um processo chamado eritropoiese. Esse ciclo leva cerca de 7 dias desde a proliferação até a liberação de reticulócitos na circulação, onde amadurecem em hemácias funcionais. A vida útil média é de aproximadamente 120 dias, após os quais são removidas pelo baço e pelo fígado, liberando ferro que pode ser reutilizado.

Deficiências de ferro ou distúrbios na produção de hemoglobina podem levar à anemia, reduzindo a capacidade de transportar oxigênio. Clinicamente, isso pode manifestar-se como cansaço, dificuldade de concentração e menor rendimento escolar, aspectos relevantes para contextos educativos. A anemia é um tema de saúde pública com consequências diretas no desempenho diário dos estudantes.

Recursos abertos em português que ajudam no aprofundamento do tema incluem o OCW USP, com conteúdos de Biologia e Hemácias, disponíveis online para estudo autodirigido. Em sala, essas fontes podem ser usadas para atividades de leitura, interpretação de dados e relação com outros temas de Ciências.

Atividades propostas: com uso de recursos abertos, os alunos podem explorar quesitos como a relação entre ferro, heme e oxigênio, construir modelos do ciclo de eritropoiese, realizar experimentos simples de difusão de gases em líquidos simulando captação e liberação de O2 e CO2, e discutir aplicações na saúde pública, incluindo nutrição e deficiência de ferro. A avaliação pode combinar perguntas conceituais, resolução de problemas e autoavaliação formativa.

 

Rodrigo Terra

Com formação inicial em Física, especialização em Ciências Educacionais com ênfase em Tecnologia Educacional e Docência, e graduação em Ciências de Dados, construí uma trajetória sólida que une educação, tecnologias ee inovação. Desde 2001, dedico-me ao campo educacional, e desde 2019, atuo também na área de ciência de dados, buscando sempre encontrar soluções focadas no desenvolvimento humano. Minha experiência combina um profundo conhecimento em educação com habilidades técnicas em dados e programação, permitindo-me criar soluções estratégicas e práticas. Com ampla vivência em análise de dados, definição de métricas e desenvolvimento de indicadores, acredito que a formação transdisciplinar é essencial para preparar indivíduos conscientes e capacitados para os desafios do mundo contemporâneo. Apaixonado por café e boas conversas, sou movido pela curiosidade e pela busca constante de novas ideias e perspectivas. Minha missão é contribuir para uma educação que inspire pensamento crítico, estimule a criatividade e promova a colaboração.

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