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Filosofia – Filósofos pré-socráticos (Plano de aula – Ensino médio)

Como referenciar este texto: Filosofia – Filósofos pré-socráticos (Plano de aula – Ensino médio). Rodrigo Terra. Publicado em: 28/01/2026. Link da postagem: https://www.makerzine.com.br/educacao/filosofia-filosofos-pre-socraticos-plano-de-aula-ensino-medio/.


 
 

Os pré-socráticos buscaram o archê, o princípio de tudo, para fundamentar fenômenos observáveis e mudanças no mundo.

Essa abordagem propõe uma integração entre teoria e prática, conectando perguntas filosóficas a situações cotidianas e a outras disciplinas.

A organização da aula envolve preparo, atividades ativas e avaliação formativa, com foco na participação e na construção coletiva do conhecimento.

 

Contexto histórico e termos-chave

Definição de filosofia na Grécia antiga e o surgimento de explicações racionais sobre a natureza, o cosmos e o saber.

Os pré-socráticos buscaram o archê, o princípio de tudo, para fundamentar fenômenos observáveis e mudanças no mundo.

Interdisciplinaridade: História da Ciência, Matemática e Linguagem ajudam a situar o nascimento da filosofia neste período.

Nesse contexto, a reflexão passa de mitos explicativos para hipóteses sobre a matéria, o lugar do homem e a ordem do cosmos, abrindo caminho para a investigação empírica.

Ao trabalhar com os pensadores pré-socráticos, a aula propõe relacionar linguagem, raciocínio lógico e metodologia científica, incentivando perguntas sobre origem, mudança e permanência no mundo.

 

Tales de Mileto – a água como archê

Tales de Mileto é reconhecido como um dos primeiros filósofos ocidentais. Ele propôs que a água era o archê, princípio de todas as coisas, capaz de se transformar e de sustentar a vida e os fenômenos naturais.

Observações do cotidiano: rios, mares e água como recurso essencial revelam o raciocínio que orienta explicações dos fenômenos naturais. Ao observar a água na chuva, na erosão ou na mudança de estado, Tales buscou uma explicação unificadora, em vez de recorrer a causas míticas.

Essa aposta no archê envolve uma leitura naturalista do mundo: o princípio subjaz na mudança das coisas e fornece uma base para compreender fenômenos como o congelamento, o vapor e a origem dos rios. Embora simples, a ideia de que tudo deriva de uma substância primordial abriu caminho para a explicação baseada em causas físicas.

Impacto e legado: a adoção de explicações racionais influenciou a tradição dos pré-socráticos e incentivou a investigação sobre natureza, cosmologia e matemática. Em sala de aula, discutir Tales ajuda os alunos a comparar explicações míticas com explicações racionais, estimulando pensamento crítico e interdisciplinaridade.

 

Anaximandro e Anaxímenes – o archê em oposição à água

Anaximandro propôs o apeiron como archê, uma substância indefinida que gera tudo.

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Anaxímenes sugere o ar como archê, explicando a transformação de coisas por condensação e expansão.

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Essa escolha de princípios distintos revela uma tendência entre os pré-socráticos de explicar a diversidade do mundo a partir de uma raiz simples: o apeiron para o infinito e indefinido, e o ar para a mobilidade que produz mudanças por condensação e expansão.

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Essa oposição entre apeiron e ar mostra como os filósofos antigos tentavam fundamentar fenômenos observáveis com princípios materiais simples, abrindo caminho para explicações naturais ao invés de explicações míticas.

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Na prática de sala de aula, podem-se propor atividades que simulam transformações físicas simples (condensação, expansão) e discutir como diferentes archês explicariam os mesmos fenômenos, conectando a teoria à experiência cotidiana dos estudantes.

 

Heráclito – o logos e a mudança constante

Heráclito afirma que tudo flui, o archê é o fogo e o logos regula a ordem cósmica.

A mudança constante e a ideia de oposição de contrários mostram uma visão dinâmica do mundo.

Para ele, o fluxo envolve uma transformação contínua de tudo que existe, de modo que o ser não permanece igual, apenas as relações entre fenômenos se mantêm.

Os opostos, como quente e frio, dia e noite, vida e morte, coexistem de forma complementar e sua tensão é mediada pelo logos, que dá coerência ao cosmos.

 

Parmênides – o ser imutável

Parmênides defende que o ser é único, imutável e eterno; a mudança é ilusão sensorial.

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Essa posição estimula o uso da lógica, da argumentação e da diferenciação entre aparência e realidade.

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Para ele, o ser não pode nascer nem perecer, pois o nascimento implicaria vir a ser a partir do nada, e a perecibilidade implicaria tornar-se não-ser; ambos violam a imutabilidade do que é.

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Essa visão levou a uma ontologia do monismo, na qual a multiplicidade é apenas uma aparência enganosa; o raciocínio, portanto, precisa partir de premissas seguras e dedutivas, rejeitando explicações baseadas em sentidos.

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Na prática pedagógica, a ideia de Parmênides convida a discutir a diferença entre explicações empíricas e explicações racionais, propondo exercícios de argumentação que desconstroem ilusões sensoriais com cuidado lógico.

 

Pitágoras – números e harmonia

Pitágoras e a escola pitagórica associam a matemática e a harmonia à compreensão do cosmos. Eles sustentavam que a ordem do mundo pode ser revelada por números e proporções, indo além da contagem para explicar padrões de movimento, som e forma. A famosa ideia de que tudo se encadeia numa música das esferas orienta a busca por uma arquitetura racional do universo.

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A relação entre números, música e proporções evidencia a interdisciplinaridade entre matemática, filosofia e artes. Observando as cordas de um instrumento, os pitagóricos mostraram que tons diferentes correspondem a razões simples (como 2:1, 3:2) e que a harmonia surge quando as partes se equilibram pela razão. Essa visão unifica ciência, estética e prática cotidiana, sugerindo que a matemática é também linguagem de beleza.

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Além do interesse teórico, o estudo de archê — o princípio de tudo — levou à ideia de que fenômenos naturais têm causas simples e repetitivas. A busca por uma essência comum abriu caminho para a filosofia de questionamento, experimentação e demonstração, conectando perguntas sobre o cosmos a exercícios de raciocínio lógico.

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Para a prática educativa, essa abordagem inspira atividades ativas: medir comprimentos, explorar proporções com instrumentos simples, experimentar melodias com cordas ou pandeiros, e discutir como padrões numéricos explicam fenômenos do cotidiano. A aula pode combinar leitura, experimentação e debates para construir uma compreensão integrada entre números, música e mundo que nos cerca.

 

Resumo para os alunos

Resumo para os alunos: a filosofia surge da curiosidade de explicar o mundo por meio da razão, afastando-se das explicações míticas. Os filósofos pré-socráticos começam a perguntar sobre a origem das coisas, o que sustenta tudo e como as mudanças ocorrem. Essa busca envolve observar a natureza, formular hipóteses simples e testáveis, e registrar consequências para construir explicações cada vez mais consistentes.

O conceito de archê representa o princípio de tudo. Diferentes pensadores propuseram substâncias ou princípios básicos: Thales sugeriu que a água é o archê; Anaximandro introduziu o apeiron, o ilimitado e indeterminado; Anaxímenes apontou o ar como fundamento da realidade. Outros, como Heráclito, destacaram o fluxo, a mudança contínua e a ideia de harmonia que surge da transformação.

Ao comparar explicações míticas com explicações racionais, desenvolvemos pensamento crítico: aprendemos a distinguir entre narrativas que respondem por fé e hipóteses que podem ser discutidas com base em evidências, observação e argumentação clara.

Essa tradição filosófica prepara o terreno para a ciência, a matemática e a História, pois enfatiza perguntas abertas, métodos de raciocínio e a busca por explicações fundamentadas. Na prática, os estudantes exploram problemas do dia a dia, relacionando conceitos abstratos com situações concretas e discutindo várias perspectivas.

Como ferramentas de sala de aula, propõe-se atividades de leitura de fontes curtas, debate guiado, construção de mapas conceituais sobre archê e mudança, além de pequenos experimentos que ilustrem a ideia de explicação racional versus narrativa mitológica.

 

Rodrigo Terra

Com formação inicial em Física, especialização em Ciências Educacionais com ênfase em Tecnologia Educacional e Docência, e graduação em Ciências de Dados, construí uma trajetória sólida que une educação, tecnologias ee inovação. Desde 2001, dedico-me ao campo educacional, e desde 2019, atuo também na área de ciência de dados, buscando sempre encontrar soluções focadas no desenvolvimento humano. Minha experiência combina um profundo conhecimento em educação com habilidades técnicas em dados e programação, permitindo-me criar soluções estratégicas e práticas. Com ampla vivência em análise de dados, definição de métricas e desenvolvimento de indicadores, acredito que a formação transdisciplinar é essencial para preparar indivíduos conscientes e capacitados para os desafios do mundo contemporâneo. Apaixonado por café e boas conversas, sou movido pela curiosidade e pela busca constante de novas ideias e perspectivas. Minha missão é contribuir para uma educação que inspire pensamento crítico, estimule a criatividade e promova a colaboração.

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