Como referenciar este texto: Física – Campo magnético gerado por corrente elétrica – Solenóide (Plano de aula – Ensino médio). Rodrigo Terra. Publicado em: 28/11/2025. Link da postagem: https://www.makerzine.com.br/educacao/fisica-campo-magnetico-gerado-por-corrente-eletrica-solenoide-plano-de-aula-ensino-medio/.
O plano detalha objetivos de aprendizagem, materiais de fácil acesso, metodologia ativa baseada em investigação e resolução de problemas, além do passo a passo para execução em 50 minutos. Inclui as equações essenciais e propostas de interdisciplinaridade com Matemática e Química.
O recurso busca oferecer precisão técnica sem perder didática: termos como campo magnético, densidade de espiras, permeabilidade e linhas de campo são apresentados com definição e uso prático, permitindo que o professor explique tanto a intuição física quanto as fórmulas aplicáveis.
Ao final há um resumo pronto para ser repassado aos alunos, com pontos-chave e indicação de recursos digitais gratuitos em português de instituições públicas para aprofundamento.
Objetivos de Aprendizagem
Compreensão conceitual: Os alunos devem ser capazes de explicar o que é o campo magnético produzido por uma corrente elétrica em um solenóide, descrevendo qualitativamente a direção e o sentido do campo (regra da mão direita) e explicando por que a densidade de espiras e a intensidade de corrente modificam a intensidade do campo no interior da bobina.
Domínio de conceitos e fórmulas: Espera-se que os estudantes identifiquem e usem a relação B = μ₀ n I (e, quando pertinente, a forma com permeabilidade do núcleo) para estimar o módulo do campo magnético em um solenóide longo, reconhecendo as unidades envolvidas, quando a aproximação de solenóide longo é válida e como aplicar a Lei de Ampère em argumentos simples.
Habilidades experimentais e analíticas: Os alunos deverão construir um protótipo simples de solenóide com materiais acessíveis, coletar medidas qualitativas com bússolas e quantitativas com sensores ou multímetro/medidor de campo (quando disponível), representar os dados em gráficos (B versus I e B versus número de espiras por metro) e discutir incertezas experimentais e possíveis fontes de erro.
Atitudes e competências científicas: O plano visa desenvolver a capacidade de formular hipóteses, planejar e executar uma investigação curta em grupo, comunicar resultados de forma clara e fundamentada e relacionar o fenômeno estudado a aplicações tecnológicas e cotidianas (motores, solenoides em fechaduras, equipamentos médicos). Avaliações sugeridas incluem problemas numéricos, relatório experimental curto e perguntas de interpretação conceitual.
Materiais utilizados
Esta seção detalha os materiais necessários para montar um experimento de solenóide adequado ao ensino médio, priorizando itens de baixo custo e fácil aquisição. Para que a demonstração seja significativa, foque em fontes de corrente contínua, fios isolados de cobre e um núcleo que possa ser de ar ou ferro doce, dependendo do objetivo pedagógico (comparar campos com e sem núcleo).
Materiais essenciais e sugestões:
- Fio esmaltado de cobre (calibre aproximado 22–28 AWG) — suficiente para enrolar entre 50 e 300 espiras;
- Tubo de PVC ou forma cilíndrica (diâmetro 1–3 cm) para enrolar a bobina;
- Fonte de alimentação DC regulável ou baterias (9–12 V) e resistor ou limitador de corrente para segurança;
- Multímetro ou amperímetro para medir corrente; bússolas pequenas ou limalha de ferro em bandeja para visualizar linhas de campo;
- Núcleo: barra de ferro doce (para demonstrar aumento do campo) ou deixar sem núcleo para comparação;
- Fitas isolantes, alicates, cortadores de fio, lixa fina para remover o esmalte do fio e suportes para fixação.
Inclua também materiais de segurança e organização: luvas finas para manuseio, óculos de proteção se cortar fios, recipientes para limalha e etiquetas para identificar grupos. Para grupos maiores, prepare conjuntos pré-enrolados com número conhecido de espiras para economizar tempo em aula. Recomenda-se que cada grupo tenha ao menos um multímetro e uma bússola para observações simultâneas.
Antes da aula, verifique conexões e isolações, teste a fonte com resistores e planeje limites de corrente para evitar aquecimento. Explique aos alunos alternativas de materiais recicláveis (tubos de caneta, pedaços de cartão) e como transformar o experimento em uma investigação: variar o número de espiras, a corrente e a presença do núcleo para relacionar resultados às expressões teóricas do campo magnético do solenóide.
Metodologia utilizada e justificativa
A metodologia proposta combina investigação experimental com aprendizagem ativa e análise teórica dirigida. Os alunos iniciam com previsões e perguntas orientadoras sobre o comportamento do campo magnético em torno de um solenóide, montam o circuito e observam variações ao alterar a corrente e o número de espiras. A sequência de atividades privilegia ciclos curtos de hipótese, experimentação e discussão, permitindo que conceitos como densidade de espiras e permeabilidade sejam construídos a partir de evidências empíricas.
Durante a execução, o professor atua como mediador: apresenta demonstrações breves, propõe desafios para pequenos grupos e circula oferecendo perguntas que incentivem a explicação causal e a quantificação dos resultados. Instrumentos simples — bússolas, ímãs, multímetro e fios — servem para medidas qualitativas e quantitativas; gráficos e comparações com a expressão analítica do campo magnético ajudam a consolidar a modelagem matemática. A integração de registros gráficos e cálculos rápidos favorece a compreensão conceitual e a preparação para avaliações externas.
Justificativa pedagógica: esta abordagem estimula o pensamento científico, a habilidade de formular e testar hipóteses e a capacidade de relacionar teoria com prática. Ao expor alunos a erros comuns (como confundir direção de corrente com direção do campo) e trabalhar a interpretação de resultados experimentais, a aula promove a correção de concepções equivocadas. Além disso, atividades em grupo desenvolvem competências socioemocionais e argumentativas, alinhadas com objetivos curriculares do ensino médio.
Para avaliação e adaptação, recomenda-se utilizar observações formativas durante a atividade, relatórios curtos por grupo e questões direcionadas ao final para verificar compreensão. Adaptações incluem dividir tarefas para alunos com ritmo diferente, propor cálculos orientados para turmas que precisam de reforço em matemática e desafios adicionais para estudantes avançados. Cuidados de segurança e organização do tempo garantem que a experiência seja produtiva em 50 minutos, mantendo o foco nos objetivos de aprendizagem e no vínculo entre experimento e teoria.
Desenvolvimento da aula
Inicie a aula ativando conhecimentos prévios sobre corrente elétrica e campos: peça aos alunos que descrevam experiências com imãs, bússolas ou eletroímãs e proponha uma pergunta investigativa — por exemplo, como a corrente em uma bobina cria um campo magnético semelhante ao de um ímã? Em seguida apresente o objetivo da atividade e organize os alunos em pequenos grupos, distribuindo materiais e definindo papéis (mediador, anotador, responsável pelo circuito).
Monte a demonstração experimental com materiais simples: fio esmaltado, pilhas ou fonte de baixa tensão, suporte para bobina (solenóide), amperímetro, bússolas ou limalha de ferro e, opcionalmente, um núcleo de ferro maciço. Oriente os estudantes a enrolar a bobina com densidade de espiras conhecida, conectar o circuito em tensão controlada e mapear o campo por dentro e por fora do solenóide usando bússolas ou limalha. Reforce normas de segurança ao lidar com corrente e fontes, e peça registro cuidadoso de observações e medidas (corrente, número de espiras, distância do eixo).
Na fase de análise, conduza uma discussão guiada relacionando observações com a expressão teórica B = μ0 n I, explicando cada termo (densidade de espiras n, permeabilidade μ0 e corrente I) e as condições em que a fórmula se aproxima da realidade (solenóide longo e núcleo vazio). Proponha que os grupos calculem valores esperados, comparem com medidas e identifiquem fontes de erro (resistência do fio, não uniformidade das espiras, efeitos de extremidades). Para turmas com mais habilidade, peça que estimem a permeabilidade relativa de um núcleo quando presente.
Conclua com atividades de síntese e avaliação: cada grupo apresenta resultados e uma interpretação física, responde perguntas conceituais e recebe um exercício para casa que conecta o experimento à tecnologia (motores, elevadores magnéticos, transformadores). Sugira variações para diferenciação — medir como B muda com I ou com n, usar sensores magnéticos digitais para coleta de dados ou explorar aplicações interdisciplinares com Matemática (ajuste linear) e Química (materiais magnéticos).
Equações e conceitos essenciais
Para entender o campo magnético de um solenóide longo, convém partir das expressões mais utilizadas em sala de aula. A expressão prática mais direta é a do campo uniformemente interno de um solenóide ideal: B = μ n I, onde B é o campo magnético no interior, μ é a permeabilidade do meio (μ = μ0 μr), n = N/L é a densidade de espiras por unidade de comprimento e I é a corrente que percorre as espiras. Essa equação é válida na aproximação de solenóide longo, distante das extremidades, e deixa explícito como o campo cresce com a corrente e com a densidade de espiras.
Do ponto de vista teórico, a Lei de Ampère (forma integral) oferece a fundamentação: ∮ B·dl = μ0 I_enc. Aplicada ao percurso que percorre o interior do solenóide, essa lei mostra por que o campo externo é desprezível no ideal e por que o campo interno tende a ser uniforme. É importante discutir as hipóteses dessa aplicação — simetria, comprimento grande em relação ao raio e desprezo das bordas — para que os alunos entendam quando a fórmula é uma boa aproximação e quando falha.
Para casos não ideais, como um solenóide finito ou quando se deseja o campo no eixo à distância de uma extremidade, recorre-se à Lei de Biot–Savart. Essa abordagem integra a contribuição de cada elemento de corrente e fornece fórmulas específicas para o campo no eixo de um solenóide de comprimento e raio dados, mostrando os efeitos de borda que reduzem e deformam o perfil do campo perto das extremidades. Também vale ressaltar a influência de um núcleo de material com μr diferente de 1: a permeabilidade relativa altera fortemente o valor de B no interior.
No plano experimental e nas aplicações, alguns conceitos derivados são úteis: fluxo magnético Φ = B·A (importante para ligar campo e indução eletromagnética) e a indutância aproximada de um solenóide L ≈ μ N² A / l, onde A é a área da seção e l o comprimento do núcleo. Ao elaborar atividades, oriente os alunos a comparar medidas (bússola, miliTesla-metro) com as previsões teóricas, discutir fontes de erro e relacionar resultados com tecnologias cotidianas como solenoides em atuadores, transformadores e detectores magnéticos.
Interdisciplinaridade e exemplos do cotidiano
A exploração do solenóide em sala de aula abre caminho para uma abordagem claramente interdisciplinar. Em Matemática, é possível trabalhar com sequências e séries ao calcular densidade de espiras e com geometria analítica ao estimar o campo no interior e nas extremidades da bobina; já em Cálculo podem ser introduzidos integrandos quando se discute a derivação da lei de Biot–Savart ou a aplicação da Lei de Ampère em aproximações. Na Química, surgem discussões sobre propriedades magnéticas de materiais, como o papel dos elementos ferromagnéticos e ligas no aumento da permeabilidade magnética, além da síntese e seleção de materiais para núcleos e revestimentos.
As conexões com tecnologia e engenharia tornam o conteúdo imediatamente relevante para o cotidiano dos alunos. Exemplos práticos incluem campainhas elétricas, fechaduras eletromagnéticas, motores de ventiladores e liquidificadores, alto-falantes e sensores presentes em portas automáticas e leitores magnéticos. Na área da saúde, o princípio do campo magnético é fundamental para entender, em termos gerais, equipamentos como o aparelho de ressonância magnética (RM), e na indústria é central em transformadores e motores elétricos.
Em atividades de sala, essas relações podem ser exploradas por meio de experimentos simples e projetos. Um mini-projeto prático é construir um solenóide com fios e um núcleo variável, usar uma bússola ou sensores para mapear a direção e intensidade do campo e comparar medições com estimativas teóricas usando a expressão para o campo interno B=μ₀nI (fazendo a ponte com Matemática na determinação de n, a densidade de espiras). Outra atividade interdisciplinar é comparar diferentes núcleos (ar, ferro doce, aço) e discutir, com base em fundamentos químicos e materiais, por que alguns aumentam mais o campo magnético do que outros.
Por fim, proponha uma tarefa avaliativa integradora: projetar um eletroímã que levante um determinado peso usando cálculos para dimensionar corrente e número de espiras, testar protótipos e documentar as escolhas de materiais. Esse tipo de trabalho permite ao professor avaliar entendimento conceitual, habilidade de modelagem matemática, noções de segurança elétrica e capacidade de argumentação científica, além de mostrar aplicações concretas que conectam Física, Matemática, Química e áreas tecnológicas.
Avaliação / Feedback e Observações
Avaliação formativa: durante a atividade laboratorial, aplique checagens rápidas de compreensão — perguntas direcionadas, observação do procedimento experimental e registro de hipóteses. Use uma grade simples para avaliar o domínio de conceitos-chave (direção do campo, relação entre corrente e intensidade do campo, efeito do número de espiras) e o cumprimento das normas de segurança. Essas medições curtas permitem ajustes imediatos na condução da aula e ajudam a identificar grupos que necessitam de intervenções pontuais.
Feedback e autoavaliação: estimule feedback construtivo entre pares e promova autoavaliação com perguntas orientadoras, como “o que confirmei experimentalmente?” e “quais passos me deixaram dúvidas?”. Feedback oral imediato e comentários escritos breves ajudam a consolidar aprendizagens e a identificar lacunas antes de avaliações formais. Incentive registros rápidos que os alunos possam consultar ao preparar relatórios ou revisões para provas.
Observações pedagógicas: esteja atento a equívocos recorrentes, por exemplo confundir a direção do campo com a do fluxo de corrente ou interpretar incorretamente o papel da densidade de espiras. Regule o nível de suporte para grupos com dificuldades e proponha desafios adicionais a alunos avançados. Anote variações experimentais relevantes, problemas de montagem e tempos excessivos em etapas práticas para otimizar futuras aplicações da aula.
Instrumentos de avaliação e encaminhamentos: proponha uma rubrica clara para o relatório de laboratório (objetivo, método, resultados, discussão) e um breve questionário de fechamento com questões conceituais e quantitativas. Como encaminhamento, sugira atividades de extensão para alunos interessados e recursos digitais gratuitos para aprofundamento, além de recomendações de segurança e manutenção dos materiais para uso contínuo nas turmas.
Resumo para alunos (texto a ser entregue)
Este resumo apresenta os pontos essenciais que você deve compreender sobre o campo magnético produzido por um solenóide. Um solenóide é uma bobina longa formada por espiras consecutivas; quando uma corrente elétrica I percorre as espiras, gera-se um campo magnético intenso e aproximadamente uniforme no interior da bobina e fraco no exterior. Use a regra da mão direita para determinar a direção do campo: os dedos seguem a corrente nas espiras e o polegar indica a direção do campo dentro da bobina.
Fórmulas e definições: para um solenóide longo e ideal, o módulo do campo magnético no interior é B = μ n I, onde n = N/L é a densidade de espiras (número de voltas por metro), I é a corrente e μ é a permeabilidade do meio (μ0 no vácuo). Lembre que a aproximação vale bem quando o comprimento é muito maior que o diâmetro; fora do solenóide o campo decai rapidamente e as linhas de campo se fecham pelo exterior.
No laboratório, você pode observar o efeito com uma bússola ou limalha de ferro: a bússola se alinha ao campo e a limalha destaca as linhas. Inserir um núcleo de ferro no interior aumenta significativamente a intensidade do campo devido à maior permeabilidade. Experimentos simples permitem verificar qualitativamente como B cresce com I e com n; note também que correntes elevadas podem aquecer a bobina, por isso use fontes de baixa tensão e observe segurança.
Atividades recomendadas: monte um solenóide com fio esmaltado, conte as espiras e calcule n; meça a direção do campo com uma bússola; varie a corrente e compare com a previsão B ∝ I. Para estudo, anote perguntas curtas: por que o campo é uniforme no interior? o que muda com um núcleo ferromagnético? consulte recursos adicionais em nosso post ou materiais de universidades públicas para aprofundar conceitos.