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Química – Mistura de soluções de mesmo soluto (Plano de aula – Ensino médio)

Como referenciar este texto: Química – Mistura de soluções de mesmo soluto (Plano de aula – Ensino médio). Rodrigo Terra. Publicado em: 14/02/2026. Link da postagem: https://www.makerzine.com.br/educacao/quimica-mistura-de-solucoes-de-mesmo-soluto-plano-de-aula-ensino-medio/.


 
 

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Vamos analisar, com linguagem acessível, o que acontece com o soluto em termos de quantidade e de volume, levando em conta o princípio da conservação de massa. O conteúdo será apresentado de forma gradual, priorizando a construção de modelos simples que permitam previsões.

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A cada etapa, o professor poderá explorar variações de concentrações e volumes, estimulando o uso de cálculos simples para prever o resultado antes da medição experimental.

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Ao final, a ideia é que os alunos consigam comunicar, de forma clara, a relação entre concentração, volume e soluto, conectando a prática de bancada a conceitos matemáticos básicos e aPerspectivas de avaliação.

 

Contextualização conceitual

Em experimentos elementares, misturar duas soluções com o mesmo soluto envolve entender que o soluto total presente é a soma dos solutos presentes em cada solução individual, independentemente da origem das soluções.

Conceitos-chave: soluto, solvente, concentração (mol/L), volume e conservação de massa. Além disso, é importante considerar que mudanças de temperatura podem alterar volumes e concentrações ligeiramente; manter as condições estáveis ajuda a previsões.

Exemplo prático de cálculo: se temos duas soluções com o mesmo soluto, Solução A com concentração C1 e volume V1 e Solução B com concentração C2 e volume V2, o número de mols em cada solução é n1 = C1 × V1 e n2 = C2 × V2. Ao misturá-las, o total de mols é n = n1 + n2 e o volume total é V = V1 + V2. A concentração final será C = n / V, que também pode ser obtida pela expressão C = (C1V1 + C2V2) / (V1 + V2).

Atividade de sala sugerida: prepare duas soluções com o mesmo soluto em concentrações diferentes, meça volumes com pipetas, antecipe a concentração final usando a relação Cn = (C1V1 + C2V2)/(V1+V2), misture, e compare o valor previsto com o obtido experimentalmente. Discuta fatores de erro como precisão de volumes, temperatura e pureza das soluções.

Essa contextualização reforça que a concentração resultante depende da quantidade de soluto total e do volume total, conectando a prática de bancada a conceitos matemáticos básicos e à ideia de conservação de massa ao longo de uma sessão de ensino.

 

Fundamentos teóricos e formulação

A concentração final C_f de uma mistura de duas soluções contendo o mesmo soluto é dada por C_f = (C1V1 + C2V2) / (V1 + V2). Este resultado assume o regime de soluções diluídas em que não há reações químicas entre o soluto e o solvente durante a mistura.

Exemplo: C1 = 0,10 M e V1 = 100 mL; C2 = 0,50 M e V2 = 150 mL; C_f = (0,10×100 + 0,50×150) / (100 + 150) ≈ 0,34 M.

Esse cálculo é ancorado no princípio da conservação de massa: a quantidade de soluto presente antes da mistura permanece constante após misturar, apenas o volume total muda com a soma dos volumes individuais.

Na prática, peça aos alunos para alterarem C1 e V1 ou C2 e V2, preverem C_f e, em seguida, realizarem medições para verificar, discutindo eventuais desvios por não-idealidades, como mudanças de volume de água ou densidade.

Atividades de revisão: organize dados em uma tabela, calcule C_f para diferentes pares de concentrações e volumes e descreva como a variação de V1+V2 afeta a concentração final, conectando aos conceitos de diluição e concentração.

 

Metodologia ativa

Propõe-se uma prática de investigação com dois grupos de alunos. Cada grupo recebe duas soluções do mesmo soluto com concentrações diferentes, com volumes estabelecidos. A tarefa é prever a concentração final, testar com uma medição indireta (por exemplo, condutividade elétrica), registrar dados e reconciliar com o cálculo teórico.

Estratégias ativas: aprendizagem baseada em problemas (PBL), aprendizado por investigação, bancada colaborativa e discussão em rodada de compartilhamento (jigsaw).

Durante o laboratório, os estudantes deverão observar que a quantidade de soluto permanece constante ao longo da mistura, enquanto o volume total muda. Eles devem registrar medições de condutividade, estimar incertezas dos instrumentos e discutir como a temperatura pode influenciar os resultados. Uma breve simulação computacional pode ajudar a visualizar a conservação da massa e a relação entre concentração, volume e soluto.

Ao final, a ideia é que os alunos comparem o valor previsto com o observado, identifiquem fontes de erro (imprecisão de volumes, contaminação, leitura de instrumentos) e proponham melhorias. Assim, eles conectam a matemática básica à prática de bancada e ao vocabulário químico, apresentando uma conclusão clara sobre a interferência de concentração e volume no resultado final.

Itens de avaliação formativa:

  • Compreensão conceitual de soluto, solvente e concentração
  • Capacidade de aplicar conservação de massa e cálculos simples
  • Habilidade de registrar dados de forma organizada
  • Clareza na comunicação científica e na apresentação de conclusões

 

Procedimento experimental sugerido

Preparação da aula (fora da sala): organize materiais, prepare soluções de exemplo (C1 e C2), por exemplo: NaCl 0,10 M e NaCl 0,50 M; prepare volumes de 100 mL e 150 mL; calibre instrumentação (condutividade) se disponível; inclua um checklist de segurança, rótulos, recipientes para descarte adequado.

Materiais: 2 béqueres, 4 provetas graduadas, pipetas ou micropipetas, solução de NaCl 0,10 M, solução de NaCl 0,50 M, água destilada, balança, proteção: luvas, óculos. Organize a bancada de modo que cada grupo tenha espaço para trabalhar e registrar dados.

Procedimento durante a aula (50 minutos): os alunos combinam V1 e V2, calculam C_f usando C_f = (V1*C1 + V2*C2)/(V1 + V2) e registram; se possível, medem a condutividade e comparam com o valor teórico; repetem com outro conjunto de volumes para observar a influência das proporções.

Durante a prática, estimule a discussão sobre conservação de massa, precisão de medições e possíveis fontes de erro, como desvios de volume, temperatura da água e sombras de leitura em instrumentos. Registem dúvidas e referências para futuras avaliações.

Avaliação e extensão: ao final, os alunos devem comunicar, de forma clara, a relação entre concentração, volume e soluto; proponha variações com outros solutos ou concentrações para aprofundar o conceito de mistura de soluções do mesmo soluto e conecte com cálculos simples em contextos reais.

 

Integração interdisciplinar

Integração interdisciplinar: este tópico permite conectar matemática, física, química e biologia para entender como diferentes disciplinas explicam a mesma mudança observada quando soluções com o mesmo soluto são misturadas, enfatizando a conservação de massa e a relevância de conceitos de volume e concentração.

Matemática aplicada: revisar regra de três, proporções, conversões de unidades (mL, L) e cálculo de concentração; incorporar atividades estatísticas simples para resumir dados experimentais, como média, desvio padrão e interpretação de variação.

Física/Química: a condutividade elétrica atua como proxy da concentração de íons; discutir como a temperatura altera a mobilidade iônica e, por analogia, como mudanças de partículas afetam a percepção de concentração; traçar paralelos com osmose em Biologia para entender equilíbrio de soluções.

Biologia e modelos conceituais: abordar osmose, pressão osmótica e propriedades coligativas que influenciam o equilíbrio de soluções; discutir limitações dos modelos simples e a importância de validação experimental.

Prática e avaliação: planejar atividades experimentais com variação de concentrações e volumes, registrar dados de forma clara, interpretar resultados com bases matemáticas, e apresentar uma comunicação científica que conecte observações a conceitos matemáticos e físicos, com rubricas de avaliação.

 

Resumo para os alunos

Resumo para os alunos: este módulo aborda a mistura de soluções que compartilham o mesmo soluto e como a concentração final pode ser prevista a partir de volumes e concentrações iniciais. A ideia central é expressa pela equação C_f = (C1V1 + C2V2) /(V1+V2), que relaciona a massa de soluto e o volume total para chegar à concentração resultante.

É importante entender a conservação de massa do soluto: o total de soluto presente nas soluções originais permanece na mistura, distribuído no volume final. Esse princípio ajuda a prever resultados sem depender apenas de medições experimentais, promovendo uma visão quantitativa da química de soluções.

Na prática de sala de aula, o professor pode organizar dados de entrada (concentrações C1, C2 e volumes V1, V2) e realizar cálculos de forma simples para prever a concentração resultante antes de medir. Em seguida, as medições de condutividade elétrica ou de densidade podem ser usadas para confirmar as previsões, quando disponível.

Mais além, é útil conectar a matemática da mistura com conceitos físicos como a condutividade e, em contextos mais amplos, com a osmose em Biologia. Assim, os alunos veem como as proporções, as propriedades da solução e as interações entre soluto e solvente influenciam o comportamento da mistura. Procurar recursos abertos de universidades públicas em português amplia ainda mais as possibilidades de estudo.

 

Rodrigo Terra

Com formação inicial em Física, especialização em Ciências Educacionais com ênfase em Tecnologia Educacional e Docência, e graduação em Ciências de Dados, construí uma trajetória sólida que une educação, tecnologias ee inovação. Desde 2001, dedico-me ao campo educacional, e desde 2019, atuo também na área de ciência de dados, buscando sempre encontrar soluções focadas no desenvolvimento humano. Minha experiência combina um profundo conhecimento em educação com habilidades técnicas em dados e programação, permitindo-me criar soluções estratégicas e práticas. Com ampla vivência em análise de dados, definição de métricas e desenvolvimento de indicadores, acredito que a formação transdisciplinar é essencial para preparar indivíduos conscientes e capacitados para os desafios do mundo contemporâneo. Apaixonado por café e boas conversas, sou movido pela curiosidade e pela busca constante de novas ideias e perspectivas. Minha missão é contribuir para uma educação que inspire pensamento crítico, estimule a criatividade e promova a colaboração.

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