Como referenciar este texto: Física – Dilatação térmica linear dos sólidos (Plano de aula – Ensino médio). Rodrigo Terra. Publicado em: 13/02/2026. Link da postagem: https://www.makerzine.com.br/educacao/fisica-dilatacao-termica-linear-dos-solidos-plano-de-aula-ensino-medio/.
A fórmula ΔL = α L0 ΔT permite prever variações de comprimento em uma dimensão, útil para projetos de engenharia e cotidiano observado em estruturas metálicas, trilhos e vidros.
A proposta aqui é combinar teoria com atividades práticas e discussões, usando metodologias ativas para favorecer a compreensão de alunos de 15 a 18 anos, que podem estar vestibulando.
Ao final, o professor terá um plano de aula pronto para aplicar com recursos abertos, com interdisciplinaridade explícita com matemática e química, e com recomendações de uso de simuladores digitais.
Conceitos-chave e fórmula da dilatação linear
A dilatação térmica é o aumento ou diminuição de dimensões de um sólido em função da temperatura. Em uma dimensão, a variação de comprimento é ΔL ≈ α L0 ΔT, onde α é o coeficiente de dilatação linear do material, L0 o comprimento inicial e ΔT a variação de temperatura.
Para pequenas variações de temperatura, α pode ser considerado constante para o material dentro de uma faixa de temperatura. A unidade de α é 1/°C.
Observa-se que, mesmo que ΔT seja pequena, mudanças podem ser relevantes para estruturas e instrumentos de precisão, como trilhos, suportes de vidro de relógios e componentes mecânicos sensíveis.
A fórmula ΔL = α L0 ΔT permite prever variações de comprimento em uma dimensão, útil para projetos de engenharia, montagem de estruturas e controle de qualidade. Em situações reais, o coeficiente pode variar com a temperatura e, em materiais anisotrópicos, depender da direção da expansão.
Para fins educacionais, pode-se comparar diferentes materiais, realizar medições de variação de comprimento com componentes simples de bancada e discutir os limites da aproximação ΔL ≈ α L0 ΔT. O tema combina teoria, experimentos simples e aplicações cotidianas, como vidros de garrafas, trilhos metálicos e estruturas de construção.
Materiais comuns e coeficientes de dilatação
A lista a seguir apresenta coeficientes de dilatação térmica linear típicos para alguns materiais comuns. Esses valores são aproximados e dependem do intervalo de temperatura, da liga e de tratamentos. Por isso, é comum referenciá-los como coeficientes médios, usados como ponto de partida em planejamento de projetos.
Para facilitar a leitura, os coeficientes podem ser entendidos como a fração de alongamento por grau Celsius de um comprimento inicial. O símbolo α representa essa variação por unidade de temperatura, com unidades de 1/°C. Em muitos materiais, a dilatação é aproximadamente linear dentro de faixas de temperatura moderadas.
Coeficientes típicos de materiais comuns (valores aproximados):
- Aço: α ≈ 12×10^-6 /°C
- Alumínio: α ≈ 23×10^-6 /°C
- Cobre: α ≈ 17×10^-6 /°C
- Vidro: α ≈ 0,9×10^-6 /°C
Aplicações práticas: ao calcular variações de comprimento ΔL = α · L0 · ΔT, podemos estimar a expansão de vigas, trilhos, vidros e estruturas. Em engenharia, é comum prever essas mudanças e deixar folgas ou usar juntas de dilatação para evitar tensões indesejadas.
Observação final: utilize essas referências como emendas iniciais e sempre confirme os dados com fichas técnicas atualizadas para a faixa de temperatura específica do seu projeto. Além disso, tenha em mente que materiais compostos, ligas ou vidro podem apresentar comportamentos não lineares fora de faixas padrão.
Procedimento experimental simples
Este experimento demonstra a dilatação térmica linear em sólidos, ilustrando como o comprimento de uma peça varia com a temperatura.
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Preparo: obtenha uma haste metálica de comprimento conhecido (L0) e use um paquímetro ou régua de boa precisão. Anote a temperatura ambiente T0.
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Procedimento experimental resumido: as etapas são descritas na lista a seguir para assegurar precisão e repetibilidade.
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- Mantenha a haste em uma temperatura diferente por um tempo (ΔT) com aquecimento até uma temperatura segura.
- Meça o novo comprimento L1 com precisão.
- Calcule ΔL = L1 – L0 e estime α ≈ ΔL / (L0 ΔT).
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Interpretação dos dados: calcule ΔL = L1 – L0 e estime α ≈ ΔL / (L0 ΔT). Discuta as fontes de incerteza de medições, como variação de temperatura, paralaxe de leitura e tolerâncias das ferramentas.
Análise de dados e interpretação
Exemplifique com números: se L0 = 100 mm, α = 12×10^-6 /°C, ΔT = 50 °C, então ΔL ≈ α L0 ΔT = 12×10^-6 × 100 × 50 = 0.06 mm.
Além do valor central, é essencial discutir erro e incerteza: tolerâncias de medição da régua, variação de α com a temperatura e efeitos de alongamento anisotrópico se a amostra não for isotrópica. A propagação de incerteza em ΔL pode ser estimada observando as incertezas de L0, α e ΔT, o que ajuda a definir intervalos de variação e a evitar conclusões precipitadas.
Atividades práticas sugeridas: peça aos alunos para medir comprimentos de barras de metal (ferro, alumínio) à temperatura ambiente e novamente após aquecimento simples com água morna; registre ΔT, L0 e calcule ΔL; compare com o valor esperado pela fórmula. Use simuladores digitais para visualizar a dilatação em diferentes materiais e em estados anisotrópicos.
Aplicações e implicações: em estruturas como trilhos, janelas e vidros, a dilatação térmica requer juntas de dilatação e escolhas de materiais com coeficientes adequados. Em planos de ensino, combine teoria com matemática (unidades, cálculo de erros) e química para contextualizar os dados experimentais, preparando o aluno para projetar soluções seguras e eficientes.
Integração com outras disciplinas
Interdisciplinaridade com Matemática: construção de gráficos de ΔL vs ΔT para diferentes materiais, usando dados simulados ou medidos. Com Química: discutir expansões em ligas e estruturas de materiais sob aquecimento. Com Artes e Design: projetar estruturas com frestas para acomodar expansão, como modelos escultóricos que evitam empenamentos.
Narrativas práticas mostram como a dilatação afeta pontes, trilhos e vitrais, incentivando o desenvolvimento de soluções seguras que combinam teoria com prática.
Atividades de sala incluem medições simples com réguas, calibração de equipamentos e uso de simuladores para visualizar como o coeficiente de dilatação influencia o alongamento em diferentes condições de temperatura.
É estimulada a colaboração entre áreas: matemática para modelagem, química para entender interfaces e materiais, artes para visualizar soluções criativas que minimizam o empenamento, e design para prototipar estruturas estáveis.
Ao final, o aluno deverá justificar escolhas de materiais em cenários reais, com uma reflexão sobre sustentabilidade, custo e impactos ambientais, utilizando recursos abertos e gratuitos.
Recursos digitais abertos
Sugestões de recursos abertos: a) Simulações PhET (Dilatação térmica) em PT-BR: PhET – Dilatação térmica (PT-BR). Esta família de ferramentas facilita a visualização de como o comprimento de um sólido varia com a temperatura, apoiando a construção de intuições dos estudantes.
Além das simulações, existem repositórios de universidades públicas com conteúdos de física, vídeos e exercícios disponíveis gratuitamente em PT-BR, com licenças abertas para uso em sala de aula.
Para enriquecer o plano de aula, recomenda-se incorporar atividades que conectem teoria e prática: os alunos podem registrar variações de comprimento de amostras simples com régua ou micrômetros, comparar ΔL com a fórmula ΔL = α L0 ΔT, e usar simuladores digitais para validar resultados, discutindo incertezas.
Ao final, o professor terá um conjunto de recursos abertos prontos para aplicar, com interdisciplinaridade explícita entre matemática e química, além de sugestões de avaliação formativa e caminhos de estudo autônomo por meio de conteúdos digitais acessíveis gratuitamente.
Resumo para os alunos
Resumo para os alunos sobre dilatação térmica linear em sólidos. Nesta revisão, veremos como a temperatura afeta o tamanho de objetos de uma dimensão e por que isso importa no planejamento de estruturas do dia a dia. O objetivo é que você entenda, de forma prática, como pequenas variações podem ter impactos relevantes em pontes, trilhos, vidros e outros componentes.
A relação fundamental é ΔL = α L0 ΔT, onde ΔL é a mudança no comprimento, L0 é o comprimento inicial, ΔT é a variação de temperatura e α é o coeficiente de dilatação do material. O valor de α depende do material e descreve o quanto ele expande ou contrai com a temperatura; mesmo variações pequenas em α podem ser significativas quando estamos lidando com estruturas longas.
Materiais comuns e seus coeficientes de dilatação incluem metais como o aço, o alumínio e o cobre, bem como materiais como vidro e plásticos. Para medir ΔL com precisão, é importante controlar a temperatura, usar instrumentos adequados e realizar medições repetidas para reduzir o erro. Em sala, podemos discutir fontes de erro, como assentamento de suportes, efeitos do ambiente e tolerâncias de fabricação.
A proposta é trabalhar com atividades práticas e simuladores digitais abertos, conectando física com matemática por meio de cálculos simples e com artes ao explorar representações visuais da dilatação. Ao final, o aluno deverá compreender como aplicar ΔL = α L0 ΔT em problemas reais, e o professor terá um plano de aula com recursos abertos em PT-BR para usar em sala de aula, fortalecendo a interdisciplinaridade com matemática e química.