Como referenciar este texto: Física – Termômetro e escala de temperatura (Plano de aula – Ensino médio). Rodrigo Terra. Publicado em: 31/01/2026. Link da postagem: https://www.makerzine.com.br/educacao/fisica-termometro-e-escala-de-temperatura-plano-de-aula-ensino-medio/.
Contextualização e objetivos de aprendizagem
Este item alinha o plano à BNCC de ciências para o ensino médio, enfatizando a ciência como investigação e a resolução de problemas reais, com ênfase no desenvolvimento de competências técnicas e científicas dos estudantes.
Na prática, o tema envolve compreender o que é temperatura, como ela é medida e por que diferentes escalas são úteis em contextos distintos.
Objetivos de aprendizagem: identificar escalas de temperatura; realizar conversões entre Celsius, Fahrenheit e Kelvin; descrever o funcionamento básico de um termômetro; interpretar leituras de temperatura em situações reais; e justificar a escolha da escala mais adequada para cada aplicação.
Metodologia ativa com experimentos simples, como medições com termômetros de mercúrio ou digitais, comparando leituras em água gelada e água quente, e registrando variações com a expansão térmica.
Avaliação formativa por meio de perguntas conduzidas, registro de dados, e apresentação de um pequeno relatório; a atividade incentiva a comunicação científica, o pensamento crítico e a resolução de problemas práticos relacionados à temperatura do ambiente e de processos simples de laboratório.
Conceitos-chave: escalas de temperatura
Escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin definem pontos de referência diferentes para medir o calor. 0 °C corresponde ao ponto de congelamento da água ao nível do mar; 100 °C ao ponto de ebulição.
O Kelvin começa no zero absoluto (0 K ≈ -273,15 °C). Temperaturas em Kelvin nunca são negativas.
Para converter entre as escalas, use fórmulas simples: de Celsius para Fahrenheit, F = C × 9/5 + 32; de Celsius para Kelvin, K = C + 273,15. Inverse conversões também são úteis ao interpretar dados de diferentes fontes.
Na prática de sala de aula, utilizar termômetros digitais ou líquidos e discutir tolerâncias de leitura ajuda a entender por que a escolha da escala importa para a interpretação de dados experimentais e para comunicar resultados com clareza.
Funcionamento e calibração de termômetros
Termômetros podem usar líquidos (água-álcool), ou díodos e metais bimetálicos. Cada tecnologia apresenta características distintas: líquidos calibram com boa estabilidade a temperaturas médias; sensores semicondutores respondem rapidamente a variações; já os bimetálicos mudam de forma conforme a temperatura, oferecendo robustez para condições simples de ensino.
A calibração envolve alinhar a leitura da escala com referências de temperatura padrão, garantindo a rastreabilidade até padrões nacionais ou internacionais e registrando a origem de cada ponto de calibração.
Referências de ponto fixo, como água gelada com gelo a 0 °C e água fervente próxima a 100 °C sob pressão ambiente, são comumente usadas para calibrar termômetros de bancada. Para intervalos diferentes, utiliza-se curvas de calibração ou cadeias de pontos fixos complementarmente, sempre documentando as condições de referência.
Entre os fatores que afetam a leitura estão pressão de vapor, densidade do líquido de referência, imersão correta, tempo de resposta, e a pressão ambiente. Outras variações como vento, isolamento térmico inadequado e fluxo de calor podem introduzir desvios significativos na leitura do termômetro.
Boas práticas de calibração: mantenha registros completos, realize verificações periódicas com padrões rastreáveis e confirme a precisão após manutenções.
- Verifique a calibração em várias faixas de temperatura relevantes para a prática de ensino.
- Documente as condições de teste (horário, ambiente, pressão, imersão).
- Conserve o equipamento em condições estáveis e verifique o tempo de resposta.
Conversões entre escalas e problemas simples
Fórmulas básicas: C = (5/9)(F – 32) e K = C + 273,15. Inversamente, F = (9/5)C + 32 e C = K – 273,15.
É importante distinguir: a escala Celsius estabelece um ponto de congelamento de 0 °C e fervura de 100 °C; Fahrenheit define 32 °F para o congelamento e 212 °F para a fervura; Kelvin começa em 0 K sem negativos. As relações entre as escalas envolvem deslocamento (offset) e escala (multiplicador).
Exemplo rápido: se F = 98,6 °F, então C ≈ 37 °C; se C = 25 °C, então F ≈ 77 °F e K ≈ 298,15 K.
Aplicação prática: dados dois valores, calcule o terceiro por meio das fórmulas. Por exemplo, dado F, encontre C e K; dado K, encontre C e F. Use as fórmulas de conversão de forma sequencial para evitar erros de arredondamento.
Dicas para estudantes: verifique unidades, mantenha constantes as casas decimais adequadas e confirme com uma verificação cruzada (por exemplo, se C = 0, F = 32 e K = 273,15).
Atividade prática: construção de termômetro simples
Pré-aula: organize duplas, defina regras de segurança e disponha os materiais com antecedência. Separe garrafas PET, canudos, água colorida, álcool, marcador de leituras e protetores para evitar respingos. Explique que o objetivo é observar a expansão de um líquido em resposta à temperatura, não medir com precisão científica neste momento.
Materiais e montagem: prepare o termômetro caseiro com uma garrafa transparente, um tubo de observação (canudo cortado) inserido na tampinha, e uma pequena porção de líquido colorido para facilitar a leitura. Siga o princípio de líquido em expansão ao aquecer ou resfriar lentamente a garrafa, usando água morna ou fria para gerar variações de temperatura controladas.
Procedimento: registre leituras de temperatura a cada 2–3 minutos. Use o marcador de leituras para anotar no canudo o nível do líquido de acordo com a temperatura estimada. Faça um aquecimento suave com água morna e, em outra rodada, um resfriamento com água fria, mantendo o movimento de observação contido para evitar perigos.
Análise: compare as leituras com as variações de temperatura. Discuta por que o líquido sobe quando esquenta e desce quando esfria, considerem margens de erro, imprecisões na leitura e fatores como calibração do tubo e atritos. Registre os dados em um gráfico simples para visualizar a relação entre temperatura e altura do líquido.
Extensões: proponha versões com diferentes líquidos (quando seguro), ou com várias garrafas para comparar a resposta entre líquidos. Ideias: usar glicerina, água com diferentes intensidades de cor, ou substituir o canudo por um tubo de vidro curto para reduzir erros. Ao final, realize uma breve avaliação formativa para verificar compreensão dos conceitos envolvidos de termometria e escalas de temperatura.
Integração interdisciplinar, avaliação e feedback
Na prática, o tema conecta Física com Química por meio da expansão térmica e de mudanças de estado, com Matemática através de gráficos, tabelas e cálculos de variação de temperatura, e com Geografia/Climatologia ao analisar dados de temperatura média de uma cidade, padrões sazonais e variabilidade climática.
As metodologias ativas são enfatizadas: aprendizagem baseada em problemas, think-pair-share e rotação de estações com registro de dados de temperatura, promovendo coleta, organização e comparação de informações entre os grupos.
Durante as atividades, os estudantes utilizam termômetros e sensores para registrar leituras, criam gráficos apropriados e interpretam as variações observadas à luz de conceitos de energia, calor e mudanças de estado.
A avaliação formativa utiliza uma rubrica simples e feedback imediato, com ênfase na precisão das medições, na clareza da explicação dos resultados e na qualidade da comunicação científica entre pares.
Para ampliar o alcance pedagógico, sugerem-se extensões que contemplem acessibilidade, diferenciação de dificuldades, recursos abertos e opções de acompanhamento individualizado, mantendo o foco na interdisciplinaridade e na melhoria contínua do conhecimento.